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The Watcher Of Dreams

The Watcher Of Dreams

25
Abr18

Já chega

C.

Ontem mandaram-me uma boca que eu estava à espera de ouvir há uns meses.

Há lá um rapaz no trabalho que rapidamente se tornou o meu melhor amigo. Ele é uma pessoa completamente diferente de mim. Nunca se chateia, é muito entusiasta, muito activo, muito positivo e muito feliz. Tive que o treinar, porque ele é daquelas pessoas que tem uma energia incrível às 8h da manhã. Chegava ao pé de mim e abanava-me. Se eu odeio que me toquem, abanarem-me ainda é pior. Com os meses, ele lá se orientou e já sabe o que deve e não deve fazer ao pé de mim.

Ele serve como molécula de coesão entre todos nós. Criámos rotinas: vamos jantar fora, saímos todos juntos, vamos a corrida juntos. Não vou mentir, a energia dele às vezes irrita-me muito, tal como a sua tendência para ser dramático e fazer cenas, ainda que a brincar, quando eu me queixo de alguma coisa ou digo que não vou a algum lado.

No entanto, é daquelas pessoas em quem automaticamente confias. Então, costumo dizer que ele é a minha gaja. Porque é aquele amigo que se infiltra debaixo da tua pele e já não sai de lá. Demorei a confiar nele, mas actualmente é a pessoa que sabe coisas sobre mim sobre as quais só escrevo aqui no blog.

Como temos esta amizade em que estamos sempre a falar e como se nota que sabemos coisas um do outro que mais ninguém sabe, já estava à espera da boca do qualquer dia casam.

Quem me mandou a boca foi alguém com idade para ser minha mãe e que eu respeito muito, por isso a única coisa que lhe disse foi: eu nem um dia aguentava na mesma casa que ele, porque não há ponto nenhum da personalidade dele que encaixe no que eu quero num parceiro.

Insistiram na ideia e eu calei-me. Os outros perceberam e ajudaram-me. Porque nós somos uns 4 ou 5 cinco que temos uma união espectacular e sabemos que a nossa amizade é sagrada. Ninguém salta o muro, porque nenhum de nós dá corda para o muro ser saltado.

Esta coisa de rapazes e raparigas não se poderem dar bem sem haver logo ali uma paixão arrebatadora tira-me do sério.

Além de me tirar do sério, faz-me ficar de pé atrás e controlar muito bem as minhas interacções com as pessoas em público. Isso ainda me tira mais do sério.

Não estava já na altura de acabar com este estigma? É que quem sofre mais com isto somos nós, mulheres. Que não podemos fazer nada por mérito próprio que andamos logo a dormir com alguém.

Já chega.

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