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The Watcher Of Dreams

The Watcher Of Dreams

27
Mar18

Há sempre alguém

C.

Uma das primeiras pessoas que conheci em Lisboa foi uma das minhas colegas de quarto, com quem vivi durante dois anos, a G.

A G. é uma miúda (com mais cinco anos que eu) alta e magrinha, giraça e super inteligente. Há coisa de duas semanas tornou-se, finalmente, advogada. É uma pessoa excelente, preocupada e uma verdadeira amiga. A G. não tem confiança nenhuma nela própria. Desde que a conheci, há seis anos atrás, que não tem confiança nenhuma nela própria. Achava sempre que ia ter más notas (acabou o mestrado com 16 na tese... um 16 em Direito é uma coisa demoníaca). Achava sempre que estava mal vestida (nunca vi ninguém tão bem vestida como ela). Basicamente, achava sempre que estava tudo mal com o que ela fazia.

Nos últimos anos reparei que ela se foi isolando. Consigo sempre falar com ela pela internet, mas só a consigo ver uma ou duas vezes por ano. No último ano, percebi que que estava mesmo algo errado com ela. 

Isolou-se cada vez mais. Falava cada vez menos. Não me respondia às mensagens.

Hoje veio falar comigo e contou-me o que se andava a passar.

Trocando por miúdos, ela está com uma depressão em cima, mas não está (nem vai estar) medicada. Ela que já era magrinha, está ainda pior. Disse-me que não consegue comer. Anda a chá e a torradas. O almoço dela hoje foram 5 colheres de sopa. Está num estado em que simplesmente não consegue.

Despediu-se e vai-se embora de Lisboa. Vai passar três meses fora do país, com família, e depois vai voltar para a terra Natal.

Aos 29 anos, vai trocar completamente a vida porque não está feliz. Porque está mesmo em baixo. Acredito piamente que os três meses no estrangeiro lhe vão fazer bem. Acredito piamente que ela vai ficar melhor longe daqui.

Hoje, ela disse-me quem me dera ter falado contigo mais cedo, já me fizeste rir e estamos a falar há cinco minutos. Pois quem me dera que ela tivesse falado comigo. Porque eu podia tê-la ajudado, tal como ajudei só por falar com ela meia dúzia de horas.

Este post serve para uma única coisa. Para vos pedir que se algum dia sentirem que bateram no fundo, ligarem à pessoa que sabem que vos vai fazer feliz. Quando pensam em felicidade, pensam em alguém. Liguem a essa pessoa.

Eu sou a pessoa feliz da G. e ela não me ligou. Além de não me ligar, não me respondeu. Percebo perfeitamente isso. Mas ela neste momento podia não estar tão mal.

Por isso, por favor, liguem a essa pessoa. Respondam a essa pessoa.

Vocês não estão a incomodar.  Vocês procurarem-nos para apoio, faz-nos respirar. Porque assim sabemos exactamente o que fazer para meter uma pessoa que amamos e que está a sofrer, a sorrir.

Se vou ter saudades dela? De morte. É família. Gabo-lhe a coragem de recomeçar a vida dela quase nos 30. Mas que recomece e seja feliz. Porque eu vou estar cá sempre.

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