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The Watcher Of Dreams

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11
Fev18

A família

C.

Com a coisa da multa, andei ali dois dias chateada com os meus pais.

Quando eu estava no 12º ano, o meu irmão foi multado em 500€ e ficou sem carta durante três meses por condução sob o efeito de álcool. Adivinhem quem pagou a multa? Dearest daddy, exactamente.

Por isso, fiquei mesmo chateada quando ninguém se ofereceu para pagar os meus 60€ de multa, considerando as circunstâncias de toda a situação. Já nem estou a falar em pagar o reboque, só mesmo a multa.

Ontem, como já me tinha passado, comentei isso com a minha mãe. Ela respondeu-me mas filha, sabes que nós este mês andamos a contar os cêntimos. E sei. Foi por isso que me passou a birra. Porque sei que, este mês, finalmente conseguiram pagar o crédito todo. Porque sei que sempre que preciso de dinheiro, se lhes pedir, eles chegam a ficar sem dinheiro para mo dar a mim. Já aconteceu uma, duas, três vezes.

Acho que tive direito de ficar chateada, porque é mais um exemplo de benefícios ao meu irmão. Mas também acho que já sou crescidinha o suficiente para a birra passar quando eu compreendo, sozinha, o que se está a passar. 

Além disso, o meu pai ainda ontem me disse na segunda-feira quando me ligaste, só não começaste a chorar porque tiveste vergonha. É verdade. Quando desliguei o telemóvel, tinha uma lágrima ao canto do olho por causa do stress. Porque o polícia tinha gritado comigo. Por causa de toda a situação. A questão aqui é que ele tem perfeita noção do que toda a situação me custou e que fiquei chateada, não por ter acontecido, mas por ter que usar as minhas poupanças.

Esta semana já gastou 20€ comigo em farmácia e, ontem, pagou-me todas as compras do supermercado. Não foi muita coisa, só essenciais. Mas pagou. 

Daqui a uma semana, vão ter comigo a Lisboa porque não quero ir sozinha à primeira consulta de fototerapia. São eles que vão pagar o gasóleo e ainda vão levar almoço de casa.

Apesar da situação, relativamente ao que poderam fazer pelo meu irmão e não podem por mim, eles esfolam-se vivos para me ajudar. Não há como negar isso. Eu sei que em Novembro eles ficaram sem dinheiro até ao fim do mês, para eu poder meter gasóleo no carro e vir a casa.

Tal como não há ninguém no mundo que me ame como a minha sobrinha, não há ninguém no mundo que se sacrifique por mim como eles fazem.

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