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The Watcher Of Dreams

The Watcher Of Dreams

21
Jan18

A balança nunca é equilibrada

C.

Cada vez venho menos a casa dos meus pais. 

Depois oiço os habituais qualquer dia não sabes onde é a tua casa ou andas muito Lisboeta, tu

Eu calo-me e não me justifico porque, no fim das contas, a vida é minha.

Tenho gradualmente tomado consciência do porquê de vir cada vez menos a casa. É por causa da minha mãe.

A partir do momento em que meto os pés nesta casa, até ao momento em que me enfio no carro para voltar a Lisboa, só oiço queixas. Muitas vezes, queixas por causa da minha cunhada. Ora é porque ela pediu isto, ora é porque ela pediu aquilo, ora é porque poupou centenas de euros graças ao trabalho árduo da minha mãe, ora é porque quem teve o trabalho foi a minha mãe e depois a minha cunhada distribuí as coisas por toda a gente... escolham, há muito por onde escolher. A questão é que ela mete sempre as culpas na minha cunhada e depois justifica-se com pois, o teu irmão recebe menos que ela, e depois se eu não os ajudar, ele fica sem dinheiro por causa dos caprichos dela. Ok, eu percebo este ponto de vista. Mas o meu irmão já é casa, já tem uma filha, tem emprego, tem carro próprio e tem mais de 30 anos. Acho que ele já consegue tomar conta da vida dele sozinho.

Normalmente o que respondo à minha mãe é olha, a culpa é tua, não te oferecesses, pedisses-lhe o dinheiro das coisas que compras para fazer os bolos. Ela ou me responde que não é bem assim ou cala-se.

Eu limpei um tipo de pessoas da minha vida: as pessoas que passam a vida a queixar-se e não sabem agradecer o que têm. Como é de prever, não posso, nem quero, limpar a minha mãe.

A questão aqui acaba por ser muito simples e até lhe podem chamar ciúmes. Vamos tirar o meu pai da equação, porque para ele as coisas são ligeiramente diferentes. Toda a minha vida tenho estado na sombra do meu irmão em quase tudo o que se possam lembrar. Os meus pais têm dois empréstimos no banco, com casa hipotecada (uma casa que já esteve paga, atenção), feitos para ajudar o meu irmão. Eu nem sequer tenho direito a lençóis lavados na cama quando venho a casa. Se os quero, tenho que ser eu a fazer a cama. O meu irmão quando cá vem tem a cama feita de lavado. Deram um ferro de quase 200€ ao meu irmão. No outro dia, a minha mãe foi comigo ao supermercado, eu paguei 20€ por um ferro e ela nem se ofereceu para mo pagar. E se formos entrar pelas coisas em que eles já ajudaram o meu irmão e que nunca mais vão ter condições de fazer para me ajudar? Nunca mais saímos daqui. Ou pelas contas cá de casa que eu pago sem pedir o dinheiro de volta. Ou pelas contas de supermercado. Ou pelos electrodomésticos. Eu quero, eu compro. Eles precisam, eu ajudo. O meu irmão quer, eles ajudam.

Depois atrevem-se a perguntar como é que eu sou tão independente. Eu sou independente porque estou habituada a chegar a minha vez e ninguém ter condições para me ajudar. Chamem-lhe ciúmes, chamem o que quiserem. Mas sinto, do fundo do coração, que há um filho preferido cá em casa. E por muito orgulho que os meus pais têm em mim e em tudo aquilo que consegui atingir, sozinha e sem a ajuda de ninguém, o filho preferido não sou eu. É tal e qual como a quantidade de vezes que não pude estudar para exames porque os meus pais ofereciam a minha ajuda ao meu irmão.

O que me irrita nas queixas da minha mãe é mesmo isso. É ela estar-se a queixar do que faz pela minha cunhada, que acaba por ser pelo meu irmão, e eu saber que ela não o vai conseguir fazer por mim. Acho que esta é a explicação mais simples face a este assunto que eu consigo dar.

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